Professor de escola estadual é demitido por omissão após alunos mandarem colega 'voltar para senzala'; caso é investigado como racismo
03/04/2025
(Foto: Reprodução) Caso ocorreu em 25 de março na escola Professor Geraldo do Espírito Santo Fogaça de Almeida, que fica no bairro Santa Bárbara. Família registrou um boletim de ocorrência. Sala de aula vazia em uma escola no RS
Reprodução/RBS TV
A Polícia Civil de Sorocaba (SP) investiga uma denúncia de racismo em uma escola estadual da cidade. O caso ocorreu no dia 25 de março na escola Professor Geraldo do Espírito Santo Fogaça de Almeida, que fica no bairro Santa Bárbara, na zona oeste da cidade. O professor que presenciou os xingamentos foi demitido por omissão.
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Nesta quinta-feira (3), a Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP) confirmou o caso e disse que o 9º DP está realizando diligências com relação ao caso.
O boletim de ocorrência trata de ameaça e preconceito de raça ou de cor. O relato da unidade de ensino também dá detalhes da situação e lembra que o adolescente foi acolhido pela direção. O documento ainda cita quatro alunos envolvidos no caso, que foram suspensos. Outra medida tomada pela unidade foi pedir o afastamento do professor que estava na sala por omissão.
'Volta pra senzala'
A mãe do adolescente contou ao g1 que, ao entrar em uma sala de aula para buscar um computador, o filho ouviu dos colegas os termos “macaco quer banana?” e “sai daí, neguinho. Volta pra senzala”.
“Simplesmente porque eles acharam que tinham o direito de diminuir ele em meio aos demais. O motivo desta humilhação? Ser negro”, diz a mãe.
Ela comenta ainda que houve omissão do professor que estava na sala e que um professor negro que estava fora da sala ouviu, ficou indignado e procurou a direção da escola.
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“A direção da escola me procurou pra falar sobre o ocorrido, assim como a mãe dos demais”, lembra. Ainda conforme ela, um dos autores da suposta injúria racial, após a conversa da direção com os pais, agrediu o menino no pátio da escola. “Após mais um ato de humilhação ele segue o ameaçando”, diz.
Ainda conforme a mãe, o filho está “visivelmente abatido, sofrendo de transtorno de ansiedade” após a situação.
O caso, inclusive, motivou um protesto em frente a unidade de ensino na quarta-feira (2), com cerca de 30 pessoas. O grupo pediu justiça e o fim da intolerância.
Professor demitido
A Secretaria da Educação informou (Seduc-SP) afirmou que assim que tomou conhecimento do ocorrido, a gestão escolar convocou os responsáveis pelos estudantes envolvidos e registrou o caso na plataforma do Programa de Melhoria da Convivência e Proteção Escolar (Conviva), que acompanha a situação.
"Além disso, um boletim de ocorrência será registrado. A Diretoria de Ensino de Sorocaba realizou uma apuração para avaliar a conduta do docente que presenciou o fato, resultando na extinção de seu contrato."
Ainda conforme a secretaria, a unidade intensificou projetos para fortalecer a convivência pacífica, o respeito e o combate ao bullying e ao racismo, em parceria com o Conselho Municipal de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra e Promoção da Igualdade Racial.
Um psicólogo do Programa Psicólogos nas Escolas está à disposição da vítima e a pasta também ressaltou que "repudia toda e qualquer forma de discriminação racial, dentro ou fora do ambiente escolar".
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